segunda-feira, 11 de maio de 2009

PRÓS E CONTRAS AO ACORDO ORTOGRAFICO

Acordo Ortográfico: Prós e ContrasA equipe do Portal EducaRede ouviu dois especialistas, Douglas Tufano, professor de Português e História da Arte, e autor de livros didáticos e paradidáticos nas áreas de Língua Portuguesa e Literatura, e José Luiz Fiorin, Professor Associado do Departamento de Lingüística da FFLCH da Universidade de São Paulo (USP), que defendem posições diferentes em relação ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Para Tufano, embora não seja completamente favorável ao Acordo, esse momento é considerado um passo à frente no projeto de unificação ortográfica, mas ainda está longe do pretendido objetivo. "Nesse caso, o Acordo poderia ter sido mais ousado e abrangente". Outra questão levantada por Tufano é a falta de clareza quanto ao uso do Hífen: "o maior dos problemas no Acordo é a confusão que se estabeleceu quanto ao uso do hífen nas locuções. No uso do hífen com os prefixos, as regras são quase todas bem simples, mas ao tratar do uso do hífen nas locuções, como "maria vai com as outras" ou "pé de moleque", o Acordo não é nada claro e a publicação do dicionário da Academia Brasileira de Letras não contribuiu em nada para esclarecer essa questão". Segundo Tufano, a resolução desse problema passa pela elaboração do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), considerada uma fonte oficial de consulta e que já deveria estar publicado antes do Acordo entrar em vigor, para evitar confusões.José Luiz Fiorin, Professor Associado do Departamento de Lingüística da FFLCH da Universidade de São Paulo (USP), concorda que algumas normas são tecnicamente mal formuladas, principalmente nas bases 15 e 16 do Acordo, em relação ao Hífen, que carrega dubiedade no entendimento das regras. A resolução desse problema está na elaboração do "Vocabulário Ortográfico Da Língua Portuguesa", outro ponto de concordância entre os especialistas. Mas, ao contrário de Tufano, José Luiz Fiorin é plenamente a favor do Acordo, principalmente em seu aspecto político, já que unifica a grafia nos países lusófonos e cria uma unidade na Comunidade de Língua Portuguesa. Até então, tínhamos duas grafias oficiais, a utilizada em Portugal, que é a mesma nas ex-colônias africanas e asiática, e a usada no Brasil. Segundo Fiorin, "reafirmar a unidade ortográfica é reafirmar a unidade de base da Língua Portuguesa". O especialista fez questão de salientar a diferença entre grafia e língua: "A língua é viva e muda tanto de país para país, com seus sotaques e gírias, como de geração para geração dentro do mesmo território. A unificação está somente na grafia".
Por fim, Fiorin analisou o impacto do Acordo nas salas de aula: "não interfere em nada a assimilação dos estudantes". O professor aponta três antigos problemas de ortografia nas escolas, e ressalta que nenhum deles foi contemplado no acordo. São eles:
1. Uma letra que representa vários sons. Ex: a letra "X" tem som de "C" na palavra auxílio e som de "Z" em exame;
2. Várias letras representam o mesmo som. Ex. Em beleza, o "Z" tem som de "Z", em exame, o "X" também tem som de "Z", e em casa, o "S" tem a mesma característica, som de "Z";
3. A não correspondência entre a letra e o som. Ex. A palavra "Sol": como a letra "L" tem som de "U", alunos podem escrever "Sou", o mesmo se dá com a palavra "Sal", que pode ser escrita, equivocadamente, "sau".
Para o Professor, uma forma de resolver essa questão está no automatismo da escrita, que vai aos poucos eliminando essas dúvidas. O entrevistado aponta uma forma bastante eficiente para alcançar esse automatismo, que é a memória visual das palavras, ou seja, quanto mais os alunos lerem, menos errarão na escrita. Mais um dado que evidencia a importância do hábito da leitura.

HISTÓRICO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Histórico: os caminhos da línguaMuitos devem se perguntar o porquê da Língua Portuguesa possuir duas grafias oficiais. Tudo começou em Portugal, em 1911, quando da 1ª Reforma Oficial da Ortografia Portuguesa, que não levou em consideração a República Brasileira, e, desde essa data, a língua tem comportado duas formas de escrita. A partir daí, as duas ortografias percorreram caminhos distintos ao longo dos anos.
Foram muitas as tentivas de unificação da ortografia no século passado. Em 1931 aconteceu o primeiro Acordo Ortográfico entre Brasil e Portugal, que visava suprimir as diferenças, unificar e simplificar a Língua Portuguesa. Contudo, este acordo não foi posto em prática. Em 1943 é redigido o Formulário Ortográfico de 1943, na primeira Convenção Ortográfica entre Brasil e Portugal. Dois anos depois, em 1945, um novo Acordo Ortográfico torna-se lei em todos os países de Língua Portuguesa, com excessão do Brasil, que continuou a regular-se pela ortografia do Vocabulário de 1943.
Uma nova tentativa de unificação aconteceu em 1975 por meio de outro acordo ortográfico, agora elaborado pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa. Na ocasião, não houve aprovação por motivações políticas entre os países. Uma nova investida, estimulada pelo acadêmico Antonio Houaiss, deu-se em 1986. Segundo Proença Filho, da Academia Brasileira de Letras, desta vez não houve aprovação por reações polêmicas ao acordo, que àquela época pretendia unificar 99,5% do vocabulário. Por fim, em 1990, em Lisboa, um novo documento foi elaborado e assinado por representantes das nações de Língua Portuguesa, com a finalidade de unificar 98% da grafia do vocabulário. O documento, que regula o Acordo, foi aprovado pelos congressos de Portugal e Cabo Verde. Em 1995, foi aprovado por parlamentares brasileiros. Em 1998, os países assinaram um protocolo modificativo do acordo, alterando a data de vigência. Em 2004, foi assinado um novo protocolo modificativo para a adesão do Timor-Leste às normas, já que o país conquistou sua independência em 2002.

Principais Regras do novo Acordo Ortográfico

Somem da OrtografiaTrema Desaparecem de toda a escrita os dois pontos usados sobre a vogal “u” em algumas palavras, mas apenas da escrita. Assim, em “linguiça”, o “ui” continua a ser pronunciado. Exceção: nomes próprios, como Hübner.
Acento diferencialTambém somem da escrita. Portanto, pelo (por meio de, ou preposição + artigo), pêlo (de cachorro, ou substantivo) e pélo (flexão do verbo pelar) passam a ser escritos da mesma maneira. Exceções: para os verbos pôr e pode - do contrário, seria difícil identificar, pelo contexto, se a frase “o país pode alcançar um grande grau de progresso” está no presente ou no passado.
Acento circunflexo Não é mais usado nas palavras terminadas em êem (terceira pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo de crer, ver, dar…) e em oo (hiato). Caso de crêem, vêem, dêem e de enjôo e vôo.
Acento agudo1 - Nos ditongos abertos éi e ói, ele desaparece da ortografia. Desta forma, “assembléia” e “paranóia” passam a ser assembleia e paranoia. No caso de “apóio”, o leitor deverá compreender o contexto em que se insere - em “Eu apoio o canditato Fulano”, leia-se “eu apóio”, enquanto “Tenho uma mesa de apoio em meu escritório” continua a ser escrito e lido da mesma forma.
2 - Desaparecem no i e no u, após ditongos (união de duas vogais) em palavras com a penúltima sílaba tônica (que é pronunciada com mais força, a paroxítona). Caso de feiúra.
Uso do HífenDeixa de existir na língua em apenas dois casos:
1 - Quando o segundo elemento começar com s ou r. Estas devem ser duplicadas. Assim, contra-regra passa a ser contrarregra, contra-senso passa a ser contrassenso. Mas há uma exceção: se o prefixo termina em r, tudo fica como está, ou seja, aquela cola super-resistente continua a resistir da mesma forma.
2 - Quando o primeiro elemento termina e o segundo começa com vogal. Ou seja, as rodovias deixam de ser auto-estradas para se tornarem autoestradas e aquela aula fora do ambiente da escola passa a ser uma atividade extraescolar e não mais extra-escolar.
Em PortugalCaem o “c” e o “p” mudos, como “óptimo” e “acto”. Passam a ser grafadas como o Brasil já fazia. Palavras como “herva” e “húmido” também passam a ser escritas como aqui: erva e úmido.Fonte: Ministério da Cultura
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domingo, 25 de janeiro de 2009

AS PRINCIPAIS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NA PRÁTICA ESCOLAR BRASILEIRA E SEUS PRESSUPOSTOS DE APRENDIZAGEM

Delcio Barros da Silva


1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste artigo é verificar os pressupostos de aprendizagem empregados pelas diferentes tendências pedagógicas na prática escolar brasileira, numa tentativa de contribuir, teoricamente, para a formação continuada de professores.

Sabe-se que a prática escolar está sujeita a condicionantes de ordem sociopolítica que implicam diferentes concepções de homem e de sociedade e, conseqüentemente, diferentes pressupostos sobre o papel da escola e da aprendizagem, inter alia. Assim, justifica-se o presente estudo, tendo em vista que o modo como os professores realizam o seu trabalho na escola tem a ver com esses pressupostos teóricos, explícita ou implicitamente.

Embora se reconheçam as dificuldades do estabelecimento de uma síntese dessas diferentes tendências pedagógicas, cujas influências se refletem no ecletismo do ensino atual, emprega-se, neste estudo, a teoria de José Carlos Libâneo, que as classifica em dois grupos: “liberais” e “progressistas”. No primeiro grupo, estão incluídas a tendência “tradicional”, a “renovada progressivista”, a “renovada não-diretiva” e a “tecnicista”. No segundo, a tendência “libertadora”, a “libertária” e a “crítico-social dos conteúdos”.

Justifica-se, também, este trabalho pelo fato de que novos avanços no campo da Psicologia da Aprendizagem, bem como a revalorização das idéias de psicólogos interacionistas, como Piaget, Vygotsky e Wallon, e a autonomia da escola na construção de sua Proposta Pedagógica, a partir da LDB 9.394/96, exigem uma atualização constante do professor. Através do conhecimento dessas tendências pedagógicas e dos seus pressupostos de aprendizagem, o professor terá condições de avaliar os fundamentos teóricos empregados na sua prática em sala de aula.

No aspecto teórico-prático, ou seja, nas manifestações na prática escolar das diversas tendências educacionais, será dado ênfase ao ensino da Língua Portuguesa, considerando-se as diferentes concepções de linguagem que perpassam esses períodos do pensamento pedagógico brasileiro.

2. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS LIBERAIS

Segundo LIBÂNEO (1990), a pedagogia liberal sustenta a idéia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo com as aptidões individuais. Isso pressupõe que o indivíduo precisa adaptar-se aos valores e normas vigentes na sociedade de classe, através do desenvolvimento da cultura individual. Devido a essa ênfase no aspecto cultural, as diferenças entre as classes sociais não são consideradas, pois, embora a escola passe a difundir a idéia de igualdade de oportunidades, não leva em conta a desigualdade de condições.

2.1. TENDÊNCIA LIBERAL TRADICIONAL

Segundo esse quadro teórico, a tendência liberal tradicional se caracteriza por acentuar o ensino humanístico, de cultura geral. De acordo com essa escola tradicional, o aluno é educado para atingir sua plena realização através de seu próprio esforço. Sendo assim, as diferenças de classe social não são consideradas e toda a prática escolar não tem nenhuma relação com o cotidiano do aluno.

Quanto aos pressupostos de aprendizagem, a idéia de que o ensino consiste em repassar os conhecimentos para o espírito da criança é acompanhada de outra: a de que a capacidade de assimilação da criança é idêntica à do adulto, sem levar em conta as características próprias de cada idade. A criança é vista, assim, como um adulto em miniatura, apenas menos desenvolvida.

No ensino da língua portuguesa, parte-se da concepção que considera a linguagem como expressão do pensamento. Os seguidores dessa corrente lingüística, em razão disso, preocupam-se com a organização lógica do pensamento, o que presume a necessidade de regras do bem falar e do bem escrever. Segundo essa concepção de linguagem, a Gramática Tradicional ou Normativa se constitui no núcleo dessa visão do ensino da língua, pois vê nessa gramática uma perspectiva de normatização lingüística, tomando como modelo de norma culta as obras dos nossos grandes escritores clássicos. Portanto, saber gramática, teoria gramatical, é a garantia de se chegar ao domínio da língua oral ou escrita.

Assim, predomina, nessa tendência tradicional, o ensino da gramática pela gramática, com ênfase nos exercícios repetitivos e de recapitulação da matéria, exigindo uma atitude receptiva e mecânica do aluno. Os conteúdos são organizados pelo professor, numa seqüência lógica, e a avaliação é realizada através de provas escritas e exercícios de casa.

2.2. TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA PROGRESSIVISTA

Segundo essa perspectiva teórica de Libâneo, a tendência liberal renovada (ou pragmatista) acentua o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões individuais.

A escola continua, dessa forma, a preparar o aluno para assumir seu papel na sociedade, adaptando as necessidades do educando ao meio social, por isso ela deve imitar a vida. Se, na tendência liberal tradicional, a atividade pedagógica estava centrada no professor, na escola renovada progressivista, defende-se a idéia de “aprender fazendo”, portanto centrada no aluno, valorizando as tentativas experimentais, a pesquisa, a descoberta, o estudo do meio natural e social, etc, levando em conta os interesses do aluno.

Como pressupostos de aprendizagem, aprender se torna uma atividade de descoberta, é uma auto-aprendizagem, sendo o ambiente apenas um meio estimulador. Só é retido aquilo que se incorpora à atividade do aluno, através da descoberta pessoal; o que é incorporado passa a compor a estrutura cognitiva para ser empregado em novas situações. É a tomada de consciência, segundo Piaget.

No ensino da língua, essas idéias escolanovistas não trouxeram maiores conseqüências, pois esbarraram na prática da tendência liberal tradicional.

2.3. TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA NÃO-DIRETIVA

Acentua-se, nessa tendência, o papel da escola na formação de atitudes, razão pela qual deve estar mais preocupada com os problemas psicológicos do que com os pedagógicos ou sociais. Todo o esforço deve visar a uma mudança dentro do indivíduo, ou seja, a uma adequação pessoal às solicitações do ambiente.

Aprender é modificar suas próprias percepções. Apenas se aprende o que estiver significativamente relacionado com essas percepções. A retenção se dá pela relevância do aprendido em relação ao “eu”, o que torna a avaliação escolar sem sentido, privilegiando-se a auto-avaliação. Trata-se de um ensino centrado no aluno, sendo o professor apenas um facilitador. No ensino da língua, tal como ocorreu com a corrente pragmatista, as idéias da escola renovada não-diretiva, embora muito difundidas, encontraram, também, uma barreira na prática da tendência liberal tradicional.

2.4. TENDÊNCIA LIBERAL TECNICISTA

A escola liberal tecnicista atua no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista), articulando-se diretamente com o sistema produtivo; para tanto, emprega a ciência da mudança de comportamento, ou seja, a tecnologia comportamental. Seu interesse principal é, portanto, produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho, não se preocupando com as mudanças sociais.

Conforme MATUI (1988), a escola tecnicista, baseada na teoria de aprendizagem S-R, vê o aluno como depositário passivo dos conhecimentos, que devem ser acumulados na mente através de associações. Skinner foi o expoente principal dessa corrente psicológica, também conhecida como behaviorista. Segundo RICHTER (2000), a visão behaviorista acredita que adquirimos uma língua por meio de imitação e formação de hábitos, por isso a ênfase na repetição, nos drills, na instrução programada, para que o aluno for me “hábitos” do uso correto da linguagem.

A partir da Reforma do Ensino, com a Lei 5.692/71, que implantou a escola tecnicista no Brasil, preponderaram as influências do estruturalismo lingüístico e a concepção de linguagem como instrumento de comunicação. A língua – como diz TRAVAGLIA (1998) – é vista como um código, ou seja, um conjunto de signos que se combinam segundo regras e que é capaz de transmitir uma mensagem, informações de um emissor a um receptor. Portanto, para os estruturalistas, saber a língua é, sobretudo, dominar o código.

No ensino da Língua Portuguesa, segundo essa concepção de linguagem, o trabalho com as estruturas lingüísticas, separadas do homem no seu contexto social, é visto como possibilidade de desenvolver a expressão oral e escrita. A tendência tecnicista é, de certa forma, uma modernização da escola tradicional e, apesar das contribuições teóricas do estruturalismo, não conseguiu superar os equívocos apresentados pelo ensino da língua centrado na gramática normativa. Em parte, esses problemas ocorreram devido às dificuldades de o professor assimilar as novas teorias sobre o ensino da língua materna.


3. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS PROGRESSISTAS

Segundo Libâneo, a pedagogia progressista designa as tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação.

3.1. TENDÊNCIA PROGRESSISTA LIBERTADORA

As tendências progressistas libertadora e libertária têm, em comum, a defesa da autogestão pedagógica e o antiautoritarismo. A escola libertadora, também conhecida como a pedagogia de Paulo Freire, vincula a educação à luta e organização de classe do oprimido. Segundo GADOTTI (1988), Paulo Freire não considera o papel informativo, o ato de conhecimento na relação educativa, mas insiste que o conhecimento não é suficiente se, ao lado e junto deste, não se elabora uma nova teoria do conhecimento e se os oprimidos não podem adquirir uma nova estrutura do conhecimento que lhes permita reelaborar e reordenar seus próprios conhecimentos e apropriar-se de outros.

Assim, para Paulo Freire, no contexto da luta de classes, o saber mais importante para o oprimido é a descoberta da sua situação de oprimido, a condição para se libertar da exploração política e econômica, através da elaboração da consciência crítica passo a passo com sua organização de classe. Por isso, a pedagogia libertadora ultrapassa os limites da pedagogia, situando-se também no campo da economia, da política e das ciências sociais, conforme Gadotti.

Como pressuposto de aprendizagem, a força motivadora deve decorrer da codificação de uma situação-problema que será analisada criticamente, envolvendo o exercício da abstração, pelo qual se procura alcançar, por meio de representações da realidade concreta, a razão de ser dos fatos. Assim, como afirma Libâneo, aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta, isto é, da situação real vivida pelo educando, e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade. Portanto o conhecimento que o educando transfere representa uma resposta à situação de opressão a que se chega pelo processo de compreensão, reflexão e crítica.

No ensino da Leitura, Paulo Freire, numa entrevista, sintetiza sua idéia de dialogismo: “Eu vou ao texto carinhosamente. De modo geral, simbolicamente, eu puxo uma cadeira e convido o autor, não importa qual, a travar um diálogo comigo”.

3.2. TENDÊNCIA PROGRESSISTA LIBERTÁRIA

A escola progressista libertária parte do pressuposto de que somente o vivido pelo educando é incorporado e utilizado em situações novas, por isso o saber sistematizado só terá relevância se for possível seu uso prático. A ênfase na aprendizagem informal, via grupo, e a negação de toda forma de repressão, visam a favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. No ensino da língua, procura valorizar o texto produzido pelo aluno, além da negociação de sentidos na leitura.

3.3. TENDÊNCIA PROGRESSISTA CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS

Conforme Libâneo, a tendência progressista crítico-social dos conteúdos, diferentemente da libertadora e libertária, acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais. A atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições, fornecendo-lhe um instrumental, por meio da aquisição de conteúdos e da socialização, para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade.

Na visão da pedagogia dos conteúdos, admite-se o princípio da aprendizagem significativa, partindo do que o aluno já sabe. A transferência da aprendizagem só se realiza no momento da síntese, isto é, quando o aluno supera sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora.

4. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS PÓS-LDB 9.394/96

Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de n.º 9.394/96, revalorizam-se as idéias de Piaget, Vygotsky e Wallon. Um dos pontos em comum entre esses psicólogos é o fato de serem interacionistas, porque concebem o conhecimento como resultado da ação que se passa entre o sujeito e um objeto. De acordo com ARANHA (1998), o conhecimento não está, então, no sujeito, como queriam os inatistas, nem no objeto, como diziam os empiristas, mas resulta da interação entre ambos.

Para citar um exemplo no ensino da língua, segundo essa perspectiva interacionista, a leitura como processo permite a possibilidade de negociação de sentidos em sala de aula. O processo de leitura, portanto, não é centrado no texto, ascendente, bottom-up, como queriam os empiristas, nem no receptor, descendente, top-down, segundo os inatistas, mas ascendente/descendente, ou seja, a partir de uma negociação de sentido entre enunciador e receptor. Assim, nessa abordagem interacionista, o receptor é retirado da sua condição de mero objeto do sentido do texto, de alguém que estava ali para decifrá-lo, decodificá-lo, como ocorria, tradicionalmente, no ensino da leitura.

As idéias desses psicólogos interacionistas vêm ao encontro da concepção que considera a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo e das modernas teorias sobre os estudos do texto, como a Lingüística Textual, a Análise do Discurso, a Semântica Argumentativa e a Pragmática, entre outros.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com esse quadro teórico de José Carlos Libâneo, deduz-se que as tendências pedagógicas liberais, ou seja, a tradicional, a renovada e a tecnicista, por se declararem neutras, nunca assumiram compromisso com as transformações da sociedade, embora, na prática, procurassem legitimar a ordem econômica e social do sistema capitalista. No ensino da língua, predominaram os métodos de base ora empirista, ora inatista, com ensino da gramática tradicional, ou sob algumas as influências teóricas do estruturalismo e do gerativismo, a partir da Lei 5.692/71, da Reforma do Ensino.

Já as tendências pedagógicas progressistas, em oposição às liberais, têm em comum a análise crítica do sistema capitalista. De base empirista (Paulo Freire se proclamava um deles) e marxista (com as idéias de Gramsci), essas tendências, no ensino da língua, valorizam o texto produzido pelo aluno, a partir do seu conhecimento de mundo, assim como a possibilidade de negociação de sentido na leitura.

A partir da LDB 9.394/96, principalmente com as difusão das idéias de Piaget, Vygotsky e Wallon, numa perspectiva sócio-histórica, essas teorias buscam uma aproximação com modernas correntes do ensino da língua que consideram a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo, ou seja, como processo de interação verbal, que constitui a sua realidade fundamental.

BIBLIOGRAFIA

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. São Paulo : Editora Moderna, 1998.
COSTA, Marisa Vorraber et al. O Currículo nos Limiares do Contemporâneo. Rio de Janeiro : DP&A editora, 1999.
GADOTTI, Moacir. Pensamento Pedagógico Brasileiro. São Paulo : Ática, 1988.
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública. São Paulo : Loyola, 1990.
MATUI, Jiron. Construtivismo. São Paulo : Editora Moderna, 1998.
RICHTER, Marcos Gustavo. Ensino do Português e Interatividade. Santa Maria : Editora da UFSM, 2000.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e Interação. São Paulo : Cortez, 1998.

domingo, 5 de outubro de 2008

EXTRATO PPP/2008.AP

EXTRATO DO PROJETO PEDAGÓGICO DA ESCOLA ESTADUAL AFONSO PENA.
I - APRESENTAÇÃO:
A Escola Estadual Afonso Pena está localizada na Rua Zuleide Peres Tabox, 444, Centro – Três Lagoas/MS, região central do município, onde se concentra a área comercial, possuindo uma clientela regionalizada, formada por alunos oriundos de todos os bairros da cidade e do meio rural.
Atualmente, a escola atende 28(vinte e oito) turmas no Ensino Fundamental e 10(dez) turmas no Ensino Médio, totalizando 928 alunos freqüentes. A Escola oferece a Educação Profissional Técnica de Nível médio, cursos do Profuncionário, atendendo 290 servidores das redes municipal e estadual.
A Escola Estadual Afonso Pena, de longa tradição na história educacional de Três Lagoas, representa um marco definitivo na difusão do ensino e da cultura do nosso Estado e tem como missão: formar alunos críticos e participativos, preparando-os para o exercício pleno de sua cidadania, possuindo valores de receptividade, respeito e interação entre outros e com uma visão no futuro que será o reconhecimento no estado de MS pela qualidade do ensino oferecido e pela maneira humanitária que atendemos nossa comunidade.
A gestão da escola é democrática, porque é constituída de um colegiado que compõem todos os segmentos da escola por representatividade.

II - INTRODUÇÃO:
1- MARCO SITUACIONAL
A educação no Brasil vem passando por uma fase de reestruturação gigantesca desde a entrada em vigor da Lei de Diretrizes e Bases - LDB de nº.9394/96, e a Educação Profissional Técnica de nível médio vem contribuir para a empregabilidade e novas oportunidades do mercado de trabalho.
Mato Grosso do Sul encontra-se em reestruturação econômica, afetando toda a sua conjuntura, com a implantação de usinas de produção de álcool e açúcar, da pecuária e agricultura, destacando ainda o turismo.
Três Lagoas tem como principal fonte de renda a pecuária de corte e o leite, seguido do comércio e da prestação de serviços. Diversas empresas foram instaladas constituindo o Parque Industrial com perspectivas afins para atender a demanda do mercado a exemplo de: Metalfrio, I.P, VCP, Cortex, Mabel e outras Três Lagoas possui uma população estimada de 88.592 pessoas residentes, com um incremento populacional na ordem de 2,5 mil por ano, conforme o IBGE/2007(D.O de 29/08/08), cujo crescimento se justifica pelo crescente número de indústrias do município, é a 3ª em arrecadação de ICMS.
Com o início para 2009, do funcionamento da IP - International Paper e da VCP-Votorantin Celulose e Papel, há uma necessidade urgente de técnicos especializados nesses setores, como também, para os setores de indústrias já em funcionamento; em face da falta desses profissionais especializados.
Há no município projetos de indústrias que se instalarão nos próximos anos, elevando a cidade ao conceito de novo pólo de desenvolvimento industrial do estado, como foi colocado na Feipan/2005 – Feira Industrial do Pantanal (www.treslagoas.ms.gov.br/noticias)
A escola não disponibiliza de acervos bibliográficos (livros técnicos), como também de profissionais habilitados para atender a educação profissional técnica de nível médio a serem implantados no ano de 2010.
Para tanto, a Escola Estadual Afonso Pena, uma das mais antigas de Três Lagoas, oferece nos três turnos, os Ensinos Fundamental e Médio, a Educação Profissional Técnica de nível médio – Profuncionário, e atende alunos com necessidades educacionais especiais – auditivos em sala de recursos e inclusos no ensino regular. Possui uma STE - Sala de Tecnologia Educacional, anfiteatro, quadra de esportes, disponibiliza salas ociosas apenas nos períodos vespertino e noturno, como também espaços ociosos para construção de salas extras para adequação ao atendimento à Educação Profissional Técnica e ao fortalecimento do Ensino Médio . A escola tem como perspectiva oferecer no ano de 2010 a Educação Técnica de nível média de acordo com o Decreto nº.5.154/2004, visando atender estas demandas de mão de obra para suprir os diversos setores em expansão.
A Escola recebe alunos estagiários da UFMS, por estar localizada numa região central, é requisitada para cursos, palestras, concursos; administrada por uma gestão colegiada,entretanto, ainda enfrenta dificuldades em trazer pais para participarem dessa gestão por motivos variados: como falta de tempo, de interesse em acompanhar a aprendizagem do filho, entre outros.
A Escola precisa construir espaço físico para implantação de uma biblioteca com acervo de livros didáticos e técnicos, bibliotecário, contratação de funcionários administrativos de apoio, efetivar a reforma geral do prédio para adequação à acessibilidade e construção de salas para laboratórios. Esses espaços específicos permitem desenvolver experiências e produzir conhecimentos científicos, melhorando a qualidade da aprendizagem.
Quanto ao quadro de professores, em sua maioria, são efetivos e trabalhando nas disciplinas de sua formação, tendo professores pós-graduados e mestres.Em relação à distribuição de turmas, a escola utiliza critério relacionados à faixa etária dos alunos.
2 - MARCO TEÓRICO:
O Artigo 2º da LDB - Lei n.º 9394/96, cita que “A educação, é dever da família e do estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando e seu preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho”.
Esta Unidade Escolar cumpre o estabelecido em sua Proposta Pedagógica e no seu PDE – Plano de Desenvolvimento Escolar, e nos seus planos e metas que são estabelecidos para serem efetivamente cumpridos e alcançados. Entre os critérios estabelecidos num intenso debate que procura entender o atual processo de globalização,encontra-se o fato de que a inovação e o conhecimento são os principais fatores que definem a competitividade e o desenvolvimento de nações, regiões, setores,empresas e até a formação de indivíduos.
A Escola procura se valer das teorias da aprendizagem para compreender o contexto educacional que vive em constante transformação, principalmente com a globalização; cenário onde a tecnologia adquiriu maior importância está presente nos meios de comunicação em todas as situações do dia-a-dia das pessoas. O mundo contemporâneo necessita de profissionais preparados com poder de autonomia, decisão e raciocínio lógico para analisar e propor soluções em situações problemas, trabalhar em equipe de forma criativa.
A pedagogia, como teoria da educação, busca equacionar de alguma maneira, o problema da relação educador-educando, de um modo geral, orientando o processo de ensino aprendizagem. A concepção de ser humano de Paulo Freire “como ser inacabado”, explicita a origem da necessidade da educação e da sua politicidade, enquanto diretividade dessa ação humana. Dessa forma, a natureza humana vem constituindo, historicamente, num movimento permanente no tempo e espaço.
Com esse perfil a escola optou por uma concepção pedagógica histórico-crítica e formação humanista.
Se a escola não incorporar as mudanças ocorridas na sociedade, não exerce a sua função social e para tanto, a capacitação continuada de professores em inovações metodológicas através de oficinas, grupos de estudo e reflexão, que é uma maneira de se atualizar e desempenhar sua função em consonância com as transformações sociais, ações estas que contribuem para a qualidade da educação. Esse condicionamento “obriga” o professor buscar informação continuada para corresponder com as expectativas do educando. A escola é um espaço de exercício da cidadania, onde se desenvolve um currículo. Frente a essas realidades, é a escola de qualidade que provê formação cultural e científica, possibilitando o contato dos alunos com a cultura, aquela provida pela ciência, pela técnica, pela linguagem, pela estética, pela ética.
O ensino-aprendizagem caracteriza-se pelo desenvolvimento e transformação progressiva das capacidades intelectuais dos alunos, em direção ao domínio dos conhecimentos e habilidades, e sua aplicação. O processo visa alcançar resultados em termos de habilidades e competências. Para isso, a escola através dos PCNs, Referencial Curricular - MS/2008 e dos recursos pedagógicos, contribui com o aperfeiçoamento da prática pedagógica de qualidade, por conseguinte, propicia educação diferenciada, principal função social da escola.
Segundo Luckesi, a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões sobre o seu trabalho. A apreciação desses dados permite uma tomada de decisão para o que deve ser feito em seguida.

3- MARCO OPERACIONAL:
A educação formal foi criada pelo e para o ser humano é que entendemos que, só por meio de uma ação articulada com a comunidade interna e externa, os problemas elencados no marco situacional, poderão ser amenizados. Buscaremos junto à SED/MS reforma geral já aprovada e manutenção do prédio escolar: hidráulica, elétrica e infra-estrutura, os quais se encontram em estado precário.
Adaptações no currículo (em consonância com a LDB e referenciais/MS), conteúdos diferenciados, aulas inovadoras e ações desenvolvidas no PDE-escola são essenciais para motivar os alunos a lidarem com as situações problemas que se mostram no dia-a-dia de sua rotina escolar e fora dela.
Adequar o PPP, promovendo jogos internos, palestras e simulados para os alunos do Ensino Médio; viabilizar a ampliação do quadro de profissionais: laboratoristas, bibliotecários, assistentes administrativos, pessoal de limpeza, inspetores de alunos, portaria e recepção; implantar e equipar laboratórios de física, química, biologia, matemática, eletrotécnica e de papel e celulose; aquisição de aparelho de datashow, retroprojetor, filmadora; estimular e dar suporte financeiro e técnico às atividades esportivas; promover atividades culturais e artísticas nos intervalos; promover eventos com a participação da família; proporcionar palestras sobre os temas transversais; propor parcerias com a iniciativa privada; são itens que viabilizarão as propostas a médio e longo prazo deste instrumento.
A avaliação é uma reflexão sobre o nível de qualidade do trabalho escolar do professor e do aluno. A escola opta no PPP pela avaliação processual e continuada, de forma que ela se mostra condizente com o projeto de escola e sociedade que queremos formar. A cada início e término de conteúdo uma avaliação se mostra necessária para um conhecimento prévio da experiência intelectual e das habilidades necessárias para o domínio do mesmo.
A capacitação continuada de professores contribui para a formação de alunos capazes de desempenhar o papel de construtores da própria história, como apregoado por Paulo Freire, isto é, capaz de interpretarem a realidade e serem autores e co-autores nas atividades e situações que enfrentarão no seu cotidiano.
A pedagogia de projetos auxilia os alunos a trocarem experiências, a desenvolverem hipóteses e a procurarem soluções em equipe ou individualmente, lidar com dados e mobilizar conhecimentos que desenvolverão as habilidades e competências necessárias para resolução das questões do ENEN e de vestibulares, que exigem tomada de decisão dos educandos.
Cronograma das ações:
Org.Executor






Curto e Médio prazo- 2009
Construir três salas para implantação dos laboratórios da Base científica: Química, Física, Matemática, Biologia e Informática; e da Base Tecnológica: Informática, Ensaios, Química, Elementos de Automação e Acionamentos, Eletricidade e Medidas Elétricas, Eletrônica, instalações elétricas e máquinas elétricas
Recursos do Prog. Br. Profissionalizado - Gov. Estadual e Federal
Construir uma biblioteca
SED/MS
Buscar parcerias com o sistema S e empresas para estágios
Escola-SED/MS
Elaborar cronograma de capacitação continuada para os profissionais envolvidos
Escola-SED/MS
Elaborar um cronograma bimestral com as seguintes atividades: gincanas, jogos, palestras
Escola
Organizar testes simulados para preparação dos alunos em relação às provas de Enen/Vestibular.
Escola
Ampliar o quadro de profissionais que atuarão no projeto para atendimento ao aumento da oferta escolar
SED/MS
Adquirir recursos áudios-visuais: Datashow, TV, DVD, retroprojetor, filmadora
SED/MS
Adquirir acervos bibliográficos didáticos e técnicos específicos para atender o projeto educação profissional
Gov. Estadual e Federal
Organizar cronograma de palestras envolvendo os temas transversais: saúde, ambiente, trânsito, DST/Aids.
Escola
Buscar suporte técnico e financeiro para desenvolver as atividades esportivas
SED/MS
Longo Prazo -
2009/2011
Reformar o prédio da escola: infra-estrutura, hidráulica e elétrica
Gov. Est./ Federal

III - DESENVOLVIMENTO:
1. Sintonia com os Arranjos Produtivos Locais (APL), de acordo com a caracterização do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), ou do órgão de estudos e planejamento econômico de cada UF ou, ainda, em conformidade com as demandas embutidas do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal.
1.1. Evidenciar a sintonia com os arranjos produtivos locais, vocacionais, econômico, sociais ou culturais.
Três Lagoas, localizada às margens do rio Paraná, fronteira com o Estado de São Paulo, possui malhas rodoviária, ferroviária e hidroviária, para escoamento dos produtos industrializados, contando, ainda, com fontes geradoras de energia elétrica, como a Usina Hidrelétrica de Jupiá e a Termoelétrica da Petrobrás, que garantem energia para consumo da população, de empresas e indústrias, atraindo investidores que instalados em diversos setores produtivos: alimentação, têxtil, calçadista, gráfico, hidromecânica, siderurgia, metalurgia.
Tendo em vista o foco de empreendimentos e investimentos voltado para a pecuária de corte e o leite, seguido do comércio e da prestação de serviços. Caracterizando a necessidade de instrução e capacitação de mão- de - obra específica ao atendimento dessas áreas. Três Lagoas possui uma população estimada de 88.592 pessoas residentes, com um incremento populacional na ordem de 2,5 mil por ano, conforme o IBGE/2007, cujo crescimento se justifica pelo crescente número de indústrias do município, é a 3ª cidade em arrecadação de ICMS.
1.2. Apresentar a necessidade de indução socioeconômica a determinado arranjo produtivo com base em estudos apresentados por agência ou órgão de planejamento.
De acordo com pesquisas realizadas junto a Secretaria de Indústria e Comércio, Empresas VCP, IP, Sindicato dos trabalhadores do comércio e população, foi constatada a necessidade e a importância da implantação dos cursos de Educação Profissional Técnica de nível médio para o município de Três Lagoas.
2. Apresentar Cursos oferecidos de acordo com o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos:
2.1. Curso Técnico em Eletrotécnica - Eixo Tecnológico: Produção Industrial - Educação Profissional Técnica de nível médio, PROEJA;
2.2.. Curso Técnico de Celulose e Papel - Eixo Tecnológico: Produção Industrial - Educação Profissional Técnica de nível médio, de forma concomitante:
3. Listar Laboratórios disponíveis:
3.1.Laboratórios da Base Científica:
Química;
Física;
Matemática;
Biologia;
Informática;
3.2 Laboratórios da Base Tecnológica:
Informática;
Ensaios;
Química;
Elementos de automação e acionamentos;
Eletricidade e medidas elétricas;
Desenho Técnico;
Eletrônica;
Instalações elétricas;
Máquinas elétricas.
4. Apresentar Plano de Estágio Supervisionado integrado aos currículos, considerando:
4.1. Existência de setor ou departamento para especialização e apoio ao estágio: Não existe;
4.2. Estágio para todos os alunos do Ensino Médio: Buscar parcerias com universidades e empresas através de convênios;
4.3.Estágio para pessoas com deficiências: caso haja condições para a realização, serão buscadas parcerias para atendimento aos alunos com necessidades especiais;
4.4. Estágio para estudantes do PROEJA: caso haja condições para a realização serão buscadas parcerias para atendimento;
4.5. Estágio profissional obrigatório: caso necessário buscará parcerias com empresas e universidades;
4.6. Estágio profissional não obrigatório incluídos no plano de curso: deverá ser realizado através das aulas práticas e, se necessário, com parcerias firmadas com empresas.
5. Indicar Parcerias com a Rede Federal, considerando os seguintes aspectos:
5.1. Implantação de laboratórios: viabilizado através de parcerias com o Governo Federal e Estadual;
5.2. Acompanhamento, monitoramento e avaliação do curso: serão realizados pela SED/MS;
5.3. Formação continuada ou qualificada de docentes - será realizada pela SED/MS
5.4. Formação continuada ou qualificação de técnicos administrativos - será realizada parceria do governo federal com o estadual pela SED/MS, curso Profuncionário;
5.5. Suporte de Consultoria – será realizada em parceria do governo Federal com o Estadual;
5.6. Manutenção de equipamentos – capacitar servidor para atuar em cada um dos laboratórios e equipamentos, a serem realizada pela SED/MS;
5.7. Implantação dos planos de cursos – realizado pela escola com acompanhamento, orientação e supervisão da SED/MS;
6. Descrever se existe ou não convênio ou termo de cooperação com outras instituições para atender os objetivos do programa. Em caso afirmativo anexar arquivo(s) comprovando o convênio e/ou termo existente – não existem;
6.1. com prefeituras – só para o Profuncionário;
6.2. com outros órgãos do estado, município ou do terceiro setor – só há convênio entre a SED e a UFMS, para estágio de graduandos;
6.3. com instituições como SENAI, SESI, SEBRAE, SESCOOP, SESI, SESC, SENAR, etc.: buscar parcerias;
7. Descrever se existe ou não parceria com o setor produtivo. Em caso afirmativo anexar arquivo(s) comprovando o convênio e/ou termo existente:
7.1. programas de visitas técnicas – não existe;
7.2. uso de espaço de produção para aulas práticas – não existe;
7.3. reforço escolar – não existe.
8. Indicar a existência de ações de inserção sóciocientífica:
8.1. estágio sociocultural ou de iniciação científica na própria escola - não existe;
8.2. estágio civil em empreendimentos ou projetos de interesse social e cultural com a comunidade - não existe;
8.3. programas de incentivo de iniciação científica – CNPQjr com alunos bolsista;
8.4. participação em feiras e mostras de trabalhos científicos – feiras de ciências e mostras culturais realizadas pela escola; participação em eventos da Petrobrás (Compet);
8.5. sala de apoio presencial para Educação a Distância – não existem;
9. Demonstrar a ampliação de oferta de matriculas de EPT, descrevendo o total de vagas a ser ofertada e detalhando o número de vagas criadas nas modalidades de Ensino Médio integrado(EMI), PROEJA, Educação a Distância(EaD) e nas formas concomitante e subseqüente, nos próximos quatro anos:
Curso
Vagas p/implantação
Técnico de Celulose e Papel - Eixo Tecnológico: Produção Industrial - Educação Profissional Técnica de nível médio
Ano
Vagas
2010
30
2011
30
Forma de articulação: concomitante/subsequente
TOTAL
60

Curso
Vagas p/implantação
Técnico em Eletrotécnica - Eixo Tecnológico: Produção Industrial - Educação Profissional Técnica de nível médio
Ano
Vagas
2010
30
2011
30
Forma de articulação: PROEJA
TOTAL
60
10. Informar se possui Convênio com E-tec Brasil. Em caso afirmativo anexar arquivo comprovando o convênio: não temos;
11. Descrever em que medida o Projeto Político Pedagógico evidencia a gestão democrática nos seguintes aspectos:
11.1. participação de representantes de entidades de classe de trabalhadores e empregadores no Conselho Escolar: Colegiado Escolar, formado por representantes de todos os segmentos da comunidade escolar, eleito por voto direto e propicia uma formalização da participação nas ações da escola.
11.2. processo participativo de escolha da direção escolar: eleição direta para escolha da direção escolar a cada três anos, com a participação de todos os segmentos que compõem comunidade escolar;
11.3. abertura para participação regular de alunos e pais no processo educacional: a escola permite a participação de alunos e pais através das reuniões bimestrais e eventos, participação no Colegiado Escolar, na APM, Conselho de Classe e no Grêmio Estudantil.
12. Informar e detalhar, se for o caso, se existem estratégia de democratização do acesso e combate a evasão/abandono:
12.1.fornecimento de bolsa de auxílio: a escola incentiva os alunos e pais a participarem dos programas sociais do governo federal e estadual - bolsa família, (BFA 85%) atendendo 180 alunos, e, BVJ 75% (Benefício Variável Jovem), beneficiando vinte alunos no Ens. Fundamental e Médio.
12.2. programas de apoio para ingresso nos cursos: organizará programas de apoio para ingresso nos cursos;
12.3. fornecimento de alimentação: a escola oferece merenda escolar para os alunos do Ensino Fundamental;
12.4. programa que promove o reforço, recuperação e regularização do fluxo escolar: professores da escola e alunos voluntários da UFMS proporcionam no contra turno aulas de reforço para alunos com dificuldades na aprendizagem;
13. Indicar existência de ações de empreendedorismo, tais como:
13.1. Empresas júnior: não possui;
13.2. Hotel Tecnológico: não possui;
13.3. Incubadora: não possui;
13.4. curso de capacitação empreendedora, incorporado ao currículo: não possui;
13.5. programa de apoio a iniciativa populares e comunitárias: campanhas, gincanas realizadas esporadicamente;
13.6. estudos, pesquisa e intervenção socioeconômica e ambiental: projetos desenvolvidos de acordo com os temas transversais;
13.7. cooperativas e associações: não possui;
14. Indicar a oferta de apoio em Tecnologia de Informação e Comunicação, tais como:
14.1. programas de rádio e televisão educativa: não possuímos;
14.2. acesso à internet e programas educacionais: Sala de Tecnologia Educacional, com 22 computadores em rede interligados com acesso à internet por banda larga, restrita a professores e alunos; computadores na secretaria e coordenação com acesso restrito aos integrantes da função;
14.3.programas educativos rodando em computadores: programa Linux educacional, instalados nos computadores da STE;
14.4. acesso a filmes e demais programas educacionais por vídeo e DVD: a escola possui um acervo de DVDs e fitas VHS, da TV Escola e Salto para o Futuro;
15. Escola em periferia de região metropolitana: a escola está situada na área central.
16. Taxa de mortalidade entre 15 e 29 anos no município em que se localiza a escola/UF: não possuímos informações sobre a taxa em relação ao município e estado;
17. Taxa de desemprego de jovens entre 16 e 29 anos do município onde se localiza a escol/UF: não possuímos informação sobre a taxa de desemprego;
18. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município onde em que se localiza a escola/UF: índice de 0,784, referente ao estado, e índice de 0,740 referente a UF, conforme pesquisa no site www.duplipensar.net/dossies.
19. Média da escola no ENEM/UF: dados de 2007 – da escola: 53.35, do Estado: 51.66;
20. Taxa de abandono do Ensino Médio da escola: em 2007, a taxa foi de 9% e a do Estado foi de 11.5%.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

DESIGNOS DIVINO

PAPEL EM BRANCO

O papel em branco

Um sábio, depois de dedicar toda a sua vida à compreensão do homem, chegou à velhice sem ter certeza de haver entendido a alma humana.
E quanto mais pensava, menos compreendia. Desesperado, pediu ajuda divina.
Os céus, então, enviaram uma folha de papel em branco para que o sábio mostrasse à várias pessoas. E lá foi ele mundo afora, perguntando para toda a gente o que via naquela folha de papel.
Uns diziam ver o céu; outros, a guerra; outros ainda, o mar. Assim, o papel branco sempre mostrava diferentes imagens para diferentes pessoas.
E o sábio começou a perceber que não se pode compreender a todos como se fossem iguais. Porque cada um é um, diferente, especial.
Com sua maneira única, diferente e especial de ver o mundo.
Aceitar essas diferenças é o primeiro passo para a compreensão do homem.